Antigo Hotel Gaspar se transforma em palco de dança contemporânea em Campo Grande

Campo Grande, cidade que nasceu às margens da ferrovia e cresceu com o vaivém de gente, verá nesta sexta, dia 8, e sábado, dia 9 de julho, o Hotel Gaspar ganhar vida novamente com arte. O prédio de cinco andares, inaugurado em 26 de agosto de 1954, foi o primeiro grande hotel da cidade, abrigou a primeira rodoviária informal e recebeu políticos, artistas e viajantes de diferentes épocas. Agora, reabre suas portas para a estreia da performance de dança contemporânea Corpo Sobre Penas, criada pelo bailarino sul-mato-grossense Halisson Nunes.

O hotel preserva a arquitetura original, o elevador e o mobiliário de época. Ao longo de seis décadas, foi central telefônica, lavanderia e ponto de encontros e despedidas. Michel Teló, por exemplo, passou parte da infância no local, onde aprendeu a tocar acordeom. Hoje, o imóvel está à venda por R$ 6,8 milhões, e a reabertura para o espetáculo marca o último evento sob a direção da família fundadora. Chris Gaspar, neta do proprietário, afirmou que espera que o espaço seja preservado como equipamento cultural permanente.

Inspirada em obras como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, Retirantes, de Cândido Portinari, e no personagem Frankenstein, a performance não reproduz essas narrativas, mas extrai delas plasticidade e movimento. Corpos fragmentados se constroem e se reorganizam diante da escassez, da lentidão e das adversidades, dialogando diretamente com a história de deslocamentos e encontros que marcou o hotel. A experiência cruza dança, artes visuais e literatura, criando uma narrativa sensorial que reflete sobre resistência e reinvenção.

Fonte: A Crítica

© 2026 Desenvolvido por Pedro Amaral

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