Espetáculo “Corpo Sobre Penas” estreia em hotel histórico de Campo Grande

O antigo Hotel Gaspar, um dos espaços mais simbólicos da história de Campo Grande, será reaberto ao público nesta sexta-feira (8) e sábado (9) para a estreia da performance Corpo Sobre Penas, do artista sul-mato-grossense Halisson Nunes.

Desativado e fora do circuito cultural regular, o prédio — que já funcionou como a primeira rodoviária da cidade — volta a receber público ao se transformar em cenário da obra. A escolha do local dialoga diretamente com a proposta do espetáculo, que aborda deslocamento, tempo e reconstrução.

 

Com início às 19h30, as apresentações têm entrada gratuita, mediante doação de 1 kg de alimento não perecível ou item de higiene, destinado à Central Única das Favelas (Cufa).

A performance parte de referências como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, Retirantes, de Cândido Portinari, e a figura de Frankenstein, de Mary Shelley, para construir uma estética baseada em fragmentação e resistência. Em cena, o corpo não narra essas obras, mas absorve suas tensões.

“A proposta é trabalhar a força das imagens e do tempo, não reproduzir histórias”, afirma Halisson.

Com duração de 40 minutos, o espetáculo propõe uma experiência sensorial que atravessa dança, artes visuais e literatura. A lentidão, segundo o artista, surge como gesto de resistência diante da vida contemporânea.

A trilha sonora é assinada por Fernando Martins, artista e pesquisador da dança, que atua como diretor artístico do trabalho. Segundo ele, o som interfere diretamente na construção da cena. “Não é acompanhamento, é parte da dramaturgia”, afirma.

A montagem é resultado de um processo de criação desenvolvido entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, combinando encontros presenciais e investigações à distância.

Além das apresentações, o projeto promove uma roda de conversa no domingo (10), às 10h, no próprio hotel, com café da manhã aberto ao público.

Para a proprietária do espaço, Chris Gaspar, a ocupação cultural marca um momento simbólico. “É um lugar de memória da cidade. Receber esse trabalho tem um significado especial”, afirma. Ela defende que o imóvel possa ter uso cultural permanente.

O projeto integra o “Corpo Fantasma – Protótipo A” e conta com financiamento do Fundo Municipal de Investimentos Culturais (Fmic), por meio da Fundação Municipal de Cultura (Fundac).

 

© 2026 Desenvolvido por Pedro Amaral

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