Espetáculo de dança “Corpo Sobre Penas” estreia no Hotel Gaspar em Campo Grande
A performance “Corpo sobre penas”, do artista Halisson Nunes estreia nos dias 8 e 9 de maio convidando o público ...
“Nesse mundo seco, o pensamento se encolhe. A linguagem vira um fio curto, incapaz de nomear o que se sente. E quando perdemos o nome das coisas, perdemos também o sentido da vida. A seca não é apenas o castigo do céu, mas o produto de uma estrutura que desumaniza. Um sistema que cala, que condiciona, que educa para a obediência. Há uma secura que não nasce da falta de chuva. É outra: uma secura que habita o corpo, a palavra, o pensamento. É a secura que apaga o brilho dos olhos e transforma o viver em mera resistência. Uma terra árida onde o silêncio pesa mais do que a fome e onde o humano, o bicho e o tempo se confundem na poeira.” – Fernando Martins
Inspirado nos clássicos “Vidas Secas”, do escritor Graciliano Ramos, “Retirantes”, do pintor Cândido Portinari, e na figura de Frankenstein da escritora Mary Shelley, a intervenção artística não busca narrar essas referências, mas extrair delas uma estética: corpos fragmentados, em deslocamento e constante reconstrução em meio às adversidades.
Em cena, o público encontra um corpo que se reorganiza diante da escassez e se constrói no espaço atravessando estímulos sensoriais e propondo a lentidão como gesto de resistência ao imediatismo da sociedade contemporânea.
A proposta é de uma experiência sensorial que atravessa dança, artes visuais e literatura para investigar corpos em transformação — marcados por ausência, resistência e reinvenção.









Halisson Nunes é acadêmico do curso de Dança – Licenciatura na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), cientista social, conselheiro municipal na cadeira da dança e membro da comissão executiva do colegiado estadual de dança do MS e desenvolve uma pesquisa de mais de dois anos no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), onde propõe imagens, textos e territórios como dispositivos de criação cênica e atualmente tem investigado os patrimônios históricos com objetivo de preservação das memórias da cidade de Campo Grande (MS) participando do grupo de pesquisa GPPED – Linha de pesquisa Corpo, Leitura e Memória com orientação de Rosana Baptistella. Percorre há mais de 15 anos no caminho da dança, onde pesquisa no seu corpo diversas linguagens estéticas somada as experiências dos trabalhos por onde passou. Concentrando tudo que experenciou, tem dedicado as suas energias em seus projetos solo, como artista independente de Campo Grande no Mato Grosso do Sul. No seu percurso artístico, encontrou na produção cultural uma possibilidade de fomentar, consumir e aprender mais sobre arte. Na licenciatura viu na oportunidade de mais um caminho para a possibilidade de inserir a arte da dança na educação que vai da infantil aos jovens adolescentes.
Com 39 anos de dedicação à dança, pesquisa e criação, Fernando Martins transita entre coreografia, produção sonora e filosofia, investigando as interseções entre corpo, música e dramaturgia. Atua como artista independente em São Paulo, mas atualmente está em Piracaia (SP), onde vive e expande suas investigações na Casa Ateliê Piracaia, um espaço imersivo junto à natureza para vivências, workshops e experimentações artísticas. Colaborou com companhias nacionais e internacionais como Galili Dance (Holanda), Quasar Cia. de Dança (GO), Random Collision (Holanda), GRUA – Gentleman de Rua (Prêmio APCA 2022), Cia. de Dança do Pantanal, Palácio das Artes (MG), Grupo Êxtase (MG), Fragmento Cia. de Dança (SP) e Balé da Cidade de São Paulo. Na Plataforma Shop Sui, Fernando desenvolve suas pesquisas Brain Diving e Dieta Aranha, que exploram o corpo como campo de multiplicidade e potência, unindo improvisação, linguagem, musicalidade e ocupação de novos territórios.
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